Não havendo um significado explicito na literatura para tal ação, somos condicionados ao étimo da palavra “cibercultura”. Assim, temos o prefixo “ciber” (de cibernética) e “cultura” (sistema de ideias, conhecimentos, técnicas, padrões de comportamento e atitudes que caracteriza uma determinada sociedade).Porém, o conceito sofre variações a partir do referencial etimológico, pois cada autor exprime uma conotação ideológica e descritiva.
O ciberespaço é o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores. O termo especifica não apenas a infra-estrutura material da comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações que existe nela.
O ciberespaço é o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores. O termo especifica não apenas a infra-estrutura material da comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações que existe nela.
Existem aqueles que se dedicam ao estudo das práticas tecnos sociais da cultura contemporânea e das suas novas formas de sociabilidade, comutadas do mundo físico para o universo virtual. Pierre Lévy ao publicar a máquina universo (1987), mostra o conceito de cibercultura ao levantar questões pertinentes ao movimento sociotecnocultural em que a sociedade está inserida. Segundo o filósofo, este é um tema polêmico em que culturas nacionais juntam-se a uma cultura globalizada e cibernética e com três princípios na rede: interconexão, comunidades virtuais e inteligência coletiva. A interconexão para a interatividade é supostamente boa, quaisquer que sejam os terminais, os indivíduos, os lugares e momentos que ela coloca em contato. As comunidades virtuais parecem ser um excelente meio entre centenas de outros para socializar, quer suas finalidades sejam lúdicas, econômicas ou intelectuais, quer seus centros de interesse sejam sérios, frívolos ou escandalosos. A inteligência coletiva, enfim, seria o modo de realização da humanidade que a rede digital universal felizmente favorece, sem que saibamos a prioridade em direção a quais resultados tendem as organizações que colocam em sinergia seus recursos intelectuais. Em resumo, o programa da cibercultura é o universal sem totalidade. Um mundo virtual, no sentido amplo, é um universo que ao interagir com o mundo virtual, os usuários o exploram e o atualizam simultaneamente. Quando as interações podem enriquecer ou modificar o modelo, o mundo virtual torna-se um vetor de inteligência e criação coletivas. O termo "cibercultura", especifica aqui o conjunto de técnicas, materiais e intelectuais, de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço. As “técnicas” condicionam as interações sociais, mas não representam a cultura do ciberespaço, que se incorpora no espaço virtual-cognitivo das pessoas, na partilha de sentimentos, informações e saberes. Assim como cita Lévy, "a virtualização é um dos principais vetores da criação da realidade"
O uso crescente das tecnologias digitais e das redes de comunicação interativa acompanha e amplifica uma profunda mutação na relação com o saber. Ao prolongar determinadas capacidades cognitivas humanas (memória, imaginação, percepção), as tecnologias intelectuais com suporte digital redefinem seu alcance, seu significado, e algumas vezes até mesmo sua natureza.