quarta-feira, 27 de abril de 2016

A internet é um espaço democrático?


Como as discussões sobre como a internet pode potencializar a democracia? Sabendo que a participação, o acesso à informação e também a possibilidade de comunicação são pontos cruciais da teoria democrática, é importante ficar atento à rede, que abre novos canais de participação à população.  
A internet passou a ser o espaço de ativistas políticos que atuam das mais diversas formas, devido às vantagens sobre a mídia tradicional. Pelo baixo custo e poder de difusão, a internet deu a oportunidade aos ativistas, com o desenvolvimento de novas formas de divulgação, de melhor organização e articulação. As manifestações que se utilizam da internet para dar força a protestos no mundo todo, ocupam as ruas de vários países. As reivindicações são inúmeras, desde a derrubada de regimes ditatoriais até a permanência do preço da passagem de ônibus, como no Brasil. Na cidade de São Paulo, por exemplo, cerca de 215 mil pessoas se mobilizaram pelas redes sociais confirmando presença, em junho do ano passado, na maior manifestação brasileira dos últimos anos. 
A rede se estrutura economicamente ou, em outras palavras, é atravessada por interesses comerciais. Temos empresas como o Facebook e o Google, que criam algoritmos e filtros que fazem com que o fluxo de informação não seja absolutamente horizontal como se imagina. No entanto, a internet nasceu de uma estratégia militar para descentralizar o armazenamento de informação, mas foi desenvolvida a partir de uma cultura hacker de liberdade. Isso faz com que haja sempre uma tensão na rede entre fluxos comunicacionais que se tornam negócio e o desejo de quebrar esses padrões e linguagens com usos mais livres. 
Pessoas como Helga Almeida, cientista social e doutoranda em ciência política pela UFMG, acreditam  que a internet está revolucionando a democracia. “A internet torna-se ferramenta central em um contexto em que se busca cada vez uma ampla liberdade de expressão, pluralidade de canais de informação e respectiva independência, acesso amplo de diferentes estratos sociais à informação e aos novos meios de comunicação, para exatamente a construção de relações de poder”. 
É necessário saber se o governo abre canais efetivos para a participação dos cidadãos, já que um dos problemas mais relevantes dentro das sociedades contemporâneas está relacionado ao respeito aos direitos humanos e, também, à inclusão social das minorias. Entre as mulheres do movimento negro, por exemplo, há uma intensa produção de conteúdo, em blogs, como o coletivo Blogueiras Negras ou o Blog da Cidinha da Silva. Também há constituição de mídias alternativas, com portais de informação com enquadramentos não usuais nos veículos de comunicação comercial. É o caso do portal Geledé (Organização política de mulheres negras que tem por missão institucional a luta contra o racismo e o sexismo, a valorização e promoção das mulheres negras.) 
A criatividade e a renovação são características fundamentais dos movimentos sociais, e ajudam a estimular a criação coletiva e a participação da sociedade como um todo. O Marco Civil da internet é um meta-exemplo de criação coletiva. Desde a elaboração até sua aprovação, tudo foi gestado em um processo altamente democrático, com a construção da regulamentação a partir de uma intensa participação dos movimentos sociais, notadamente o relacionado à democratização dos meios de comunicação. A importância do Marco Civil para o cenário brasileiro atual tornou-se uma referência no que diz respeito à legislação de internet no mundo, sendo elogiado por personalidades como Tim Benners-Lee, criador da WWW.

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